Todo dia é dia de combate ao tabagismo

27/05/2013 21:06

 

 

 

 

Karine Salles www.boavontade.com

            Considerado uma epidemia mundial, o tabagismo mata cerca de seis milhões de pessoas anualmente. Destas, mais de 600 mil não são de fumantes, porém morrem só por respirarem a fumaça. Sem campanhas e estratégias eficazes, a epidemia vai matar mais de 8 milhões de pessoas por ano até 2030, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

            Câncer de pulmão ou boca e enfisema pulmonar estão entre as principais causas de mortes relacionadas ao uso constante do cigarro. Estudos comprovam que o consumo de tabaco é a principal causa evitável de morte no mundo. O tabaco é um fator de risco para doenças não transmissíveis, como câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e doenças respiratórias crônicas.

Leia mais:

Paiva Netto escreve Tabagismo na idade escolar
Compreenda o papel da família na superação dos vícios
Cigarro eletrônico não inibe o vício e pode dar câncer

 

            A batalha contra o vício do cigarro não é uma tarefa fácil. Porém, não é impossível. Em uma conversa sincera e muito inspiradora para a mudança, a advogada Maria Eugênia Cerqueira (foto acima), de 66 anos, relatou ao portal Boa Vontade que fumou durante 35 anos de sua vida e que após um período internada com um grave problema no pulmão recebeu a advertência médica: "ou para ou morre". E ela escolheu viver.


            Apesar de ver um grande amigo perdendo a vida por conta do vício, Maria Eugênia sempre acreditou que com ela não iria acontecer. "Me impressionou e mesmo assim eu pensei: aconteceu com ele e comigo não vai acontecer’". Até que um dia uma dor forte a fez parar no hospital. Ela foi diagnosticada com pneumonia dupla. "Foi por um triz. Fiquei dias na UTI e em pânico, pois respirar doía". Até que ouviu a frase do médico: "ou você para de fumar ou você morre".

            Depois desse baque, a advogada decidiu que era hora de mudar e tirou de sua vida tudo o que a fizesse lembrar o cigarro.

            O psiquiatra Pedro Katz explica que a maior dificuldade de parar de fumar é a de se manter sem cigarro, por conta da ‘sensação de prazer’ causada pela nicotina. "O problema é que essa sensação dura pouco tempo, e quando falta essa substância no cérebro [ nicotina] a pessoa passa a ter sintomas desagradáveis passando a ter vontade de fumar novamente". E reforçou: "É importante a gente deixar claro para as pessoas que vale a pena parar de fumar. Em qualquer período da vida tudo que você consegue de bom vale a pena".

Esporte e qualidade de vida


            Existem diversos fatores e ações que incentivam as pessoas a pararem com esse hábito nada saudável. Maria Eugênia encontrou na corrida essa válvula de escape. "Eu sempre fui uma pessoa ativa e resolvi estudar para ver o que eu poderia fazer para superar isso. Eu comecei a correr um quilômetro e hoje em dia eu sou ultramaratonista", contou orgulhosa.
 

            Hoje, a advogada já acumula participação em vários campeonatos nacionais e internacionais e sempre incentiva outros a seguirem o mesmo caminho. "Eu agradecia o dia que eu não fumava. Você tem que buscar forças, uma energia dentro de você para superar. Eu busquei força na Fé, não no sentindo de pedir, mas de agradecer o dia a dia".

            Os benefícios individuais obtidos ao parar de fumar incluem aumento da saúde, melhora do paladar, melhora do olfato, economia de dinheiro, respiração mais livre e fácil, além do odor mais agradável no corpo. "Hoje vejo o quanto eu estava perdendo de vida saudável, de esportes, de ar livre. Para ser feliz não precisava [do cigarro]. Vi que eu teria prazeres em momentos igualmente fantásticos sem ele. Não me arrependo em nada ter largado o fumo, pelo contrário, hoje eu encontrei muito mais prazer na vida".